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Ciclista de PP busca firmação e projeta Olimpíadas de 2016

Rogério Mative

Em 14/11/2011 às 18:14

(Foto: Sérgio Borges/NoFoco)

Após duas temporadas na Itália, o ciclista Teo Grandi está de volta a Presidente Prudente, mas por apenas três meses. Tempo que utilizará para matar saudades da família e se preparar visando conquistar espaço na categoria profissional italiana, considerada a elite mundial. O prudentino já traça planos e sonha em disputar as Olimpíadas de 2016, que serão realizadas no Brasil.

Grandi começou no ciclismo ainda pequeno e despontou como grande promessa com apenas 15 anos, após conquistar títulos regionais e estaduais. Seu rendimento com as duas rodas chamou a atenção de Sorocaba, cidade que defendeu em várias competições. Com 19 anos, resolveu enfrentar as dificuldades e cavar um lugar no disputado ciclismo italiano, aonde pretende firmar-se como profissional em 2012.

"Depois de dois anos na Itália, um ano pela categoria semiprofissional que é a diletante, foi muita experiência acumulada diante das dificuldades. Acabei descobrindo que você tem que acreditar em seus sonhos. Muitas equipes acabaram fechando as portas neste ano. Mas, mesmo assim, consegui me destacar e outras equipes fizeram propostas. Espero que 2012 seja um ano decisivo na minha carreira. Ano que vem será o último pela categoria sub-23, você acaba ficando um pouco velho para o ciclismo profissional. Ano que vem vou ter que fazer resultados, acredito que duas ou três vitórias já garantam um contrato profissional", projeta.

O ciclista ficará por três meses em Prudente, tempo que buscará aperfeiçoar seus treinos e ganhar vantagem diante dos adversários. "Vou aproveitar o verão brasileiro, é uma vantagem para mim porque meus adversários estão enfrentando um frio bravo lá. Estou readaptando ao clima quente, mas isso logo conseguirei", afirma.

Mesmo longe de casa, Teo Grandi desenha sua maior conquista no Brasil, quando poderá disputar as Olimpíadas de 2016. "O grande combustível hoje para garotos da minha idade é 2016, as Olimpíadas no Brasil. Estarei com 26 anos e no auge de minha preparação. O que tenho que fazer agora é dedicar-me para passar ao profissional e assim criar moral, experiência e muita perna para chegar em 2016 e ser um nome na seleção brasileira. Somos poucos brasileiros na Itália, na minha categoria somos dois. Defender um país de 180 milhões de habitantes no exterior não é pouca coisa. Temos que pensar nisso com pé no chão e muita vontade", acredita o ciclista.

Falante e de personalidade forte, Grandi critica a falta de estrutura do ciclismo brasileiro e revela que não aconselharia alguém a percorrer o mesmo caminho para chegar à elite italiana. "Acho que os passos que eu dei antes de chegar à elite do ciclismo foram importantes. O ciclismo aqui precisa melhorar demais, a decisão que tive foi parar ou tentar algo grande, que é o ciclismo top do mundo. Espero muito que um brasileiro venha mudar essa realidade nossa, com medalhas em mundiais e olimpíadas. A mídia muda muita coisa. Se o ciclismo tiver essa chance de aparecer de maneira limpa e saudável vai ajudar. Mas, hoje não estou na idade de mudar o ciclismo. Tenho que focar ainda na minha carreira para quem sabe determinar algo no futuro", pontua.

"Hoje, não aconselharia ninguém a fazer o que fiz. O preconceito e as dificuldades que tive foram demais. O menosprezo dos italianos..., é oito ou 80, ou eles te amam ou te jogam no lixo. Se você é estrangeiro é intruso. Eu tive a sorte de encontrar uma família que me adotou como membro dela, que se encantou com minha história, com aquele menino que chegou com apenas as mochilas nas costas. Isso foi determinante para que eu continuasse firme no sonho", desabafa.

Nova jovem promessa prudentina, Caíque Lobo é lembrado por Grandi, que aproveita para aconselhar o companheiro de modalidade. "É uma grande felicidade saber que temos um atleta que pode despontar como grande nome no Brasil. O Caíque tem uma família que apoia ele em tudo e isso é importante. Ele tem que ver o futuro dele longe de casa porque a nossa realidade é complicada. Se a família e ele quiserem mesmo o ciclismo têm que saber que ele vai sofrer ainda mais que sofreu. Mas ele precisa se enxergar na Europa", fala.

"Esperança de melhorar por aqui a gente sempre tem. A ginástica, natação e o tênis mudaram com grandes ícones; ter um atleta que coloca nas costas a responsabilidade é importante. O Brasil tem espaço para crescimento e precisa ter uma pessoa responsável para promover competições com nível técnico mundial e chamar profissionais para que o Brasil evolua no ciclismo", conclui.
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