| Presidente Prudente/SP

Alagamento no Parque do Povo não tem solução, diz especialista

Rogério Mative

Em 17/01/2012 às 16:02

(Foto: Reprodução/Facebook)

Reclamação constante de moradores e comerciantes locais, o Parque do Povo de Presidente Prudente transforma-se em um verdadeiro rio em dias com chuvas de grande intensidade. Porém, segundo o professor de Climatologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Tadeu Tommaselli, não existe uma solução definitiva para acabar com os frequentes alagamentos. O especialista ainda classifica a canalização fechada como "um erro técnico". No último sábado (14), 41,4 milímetros registrados em menos de uma hora foram responsáveis por inundações e prejuízos materiais para donos de veículos.

Lançado em 1976, o projeto "Fundo de Vale" teve como objetivo reurbanizar aquele local, além de canalizar o trecho inicial do Córrego do Veado. Assim, com área de 460 mil m² de extensão nascia o Parque do Povo, um dos atuais cartões postais da cidade. Com ele, surgiam também áreas de alagamentos.

O professor de Climatologia da Unesp relata que não existe muita solução para o problema. "Primeiro que choveu bastante naquele sábado. Segundo, é uma área inundável. Antigamente tinha um córrego que hoje foi canalizado. É ali que as águas vão. Nunca deveria ser ocupada a área do córrego", diz Tommaselli, citando a ocupação comercial da área ao redor do córrego. Na época, a urbanização do local foi motivo de vários embates políticos e judiciais devido a desapropriação de terrenos vizinhos.

"Um problema foi impermeabilizar toda a sua volta. A área ficou saturada. Quando acontecem as chuvas intensas, como no último sábado, o Parque do Povo não tem suporte para drenar toda essa água e acontece um pico de concentração porque a água não encontra caminho permeável. O asfalto hoje serve como uma grande canaleta. Ali é um lugar de estrangulamento. Isso acontece desde que foi erguido o shopping. Lembro-me de muita discussão na época sobre isso, estava chegando a Prudente", fala o professor.

Segundo estudo realizado por Carlos Alexandre Bortolo, e apresentado durante o Simpósio de Estudos Urbanos (Seurb), no ano passado, "em 1983, o Parque do Povo foi abandonado pela administração municipal em virtude de constituir-se em uma obra onerosa para a municipalidade e de não ter equacionado adequadamente o problema das inundações nessa área, além disso, ocorreria a queda das placas de proteção das margens do córrego e segundo a Secretaria de Planejamento da Prefeitura os Projetos CURA endividaram a prefeitura até o ano de 2019".

Canalização fechada

Em 1995, durante a gestão de Agripino de Oliveira Lima, teve início a substituição da canalização do tipo trapezoidal - com aproximadamente 1870 metros de extensão – pela canalização fechada, constituída por tubos armcos corrugados. As obras foram executadas em etapas e tiveram custo estimado em R$ 5 milhões.

Mas, para Tommaselli, o Poder Público foi avisado sobre os riscos da canalização fechada. O professor considera a medida como um "erro técnico". "Você tem um fundo de vale com o formato de quase um V. Puseram um cano e jogaram terra ocupando o espaço da água. Isso piora a situação. Foi um erro no aspecto técnico. Quem fechou ali foi alertado que esse problema aconteceria. Atualmente, as novas obras de fundos de vale são abertas. É proibido fechar", argumenta.

Sugestões

O especialista cita algumas formas de amenizar os alagamentos e lança uma ideia praticada em grandes centros. "Não pode deixar a água chegar com tanta força. Seria preciso represar antes, fazer piscinões antes de a água chegar ao parque. Mas é uma obra cara e inviável. Não tem muito que fazer".

"Uma ideia seria as pessoas que moram na parte alta armazenarem em suas residências a água da chuva nesses dias mais intensos. Isso é praticado em São Paulo, por exemplo. A medida já contribuiria bastante, mas tem que ver se a Prefeitura poderá trabalhar em algo do tipo para incentivar essa medida", conclui.
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