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Bugalho apaga passado e anuncia 'novo camelódromo'

Prefeito é autor de inquérito instaurado para desocupação da praça

ROGÉRIO MATIVE

Em 22/11/2018 às 08:06

Uma das exigências da Justiça é a manutenção de apenas 240 boxes no local, contra os 284 atuais

(Foto: Marcos Sanches/Secom)

Com discurso baseado em "resposta a inverdades", o prefeito Nelson Bugalho (PTB) anunciou uma completa remodelação do Camelódromo ao custo de R$ 4,5 milhões, a partir de 2019. Mas, nem sempre a vontade foi transformar o principal ponto de comércio popular da cidade. Há 10 anos, o chefe do Executivo de Presidente Prudente tinha uma outra meta: retirar os boxistas e restaurar a Praça da Bandeira em inquérito de sua autoria quando ainda respondia pela Promotoria de Justiça do Meio Ambiente.

Em cerimônia improvisada no shopping popular, na tarde de quarta-feira (21), Bugalho assinou um contrato com a Caixa Econômica Federal (CEF), com recursos obtidos por meio do Financiamento à Infraestrutura e Saneamento (Finisa). Este é o terceiro financiamento tomado nos últimos 30 dias, somando mais de R$ 19 milhões.

Durante o ato, ele enfatizou que a obra é uma “resposta a inverdades” que "sugeriam" que o governo municipal pretendia “acabar com o Shopping Popular”. “Muito pelo contrário: nós estamos investindo no camelódromo, para que ele possa atrair ainda mais consumidores, garantindo mais conforto e segurança a quem frequenta e trabalha aqui”, declarou Bugalho.

Mudou pensamento

O discurso atual é totalmente diferente do realizado em 2008, quando Bugalho respondia pela Promotoria de Meio Ambiente. Na época, ele afirmou que não abria mão da desocupação da Praça da Bandeira, conforme publicou o Portal.

"Não temos como abrir mão desta praça, que é um bem comum e faz parte do patrimônio histórico da cidade. Pode ser daqui um ou dois anos, mas o Shopping Popular terá de ser transferido e isso não abriremos mão", disse, há 10 anos.

Na época, um inquérito foi aberto para apurar responsabilidades da invasão da praça. Os galpões da Rumo ALL, que ficam ao lado, foram a sugestão para abrigar os camelôs e desocupar o equipamento público.

Em uma década, várias audiências foram realizadas no Ministério Público Estadual e Justiça local, porém, sem atingir o objetivo inicial do inquérito. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo apontou que o camelódromo pode permanecer, desde que observado o cumprimento de decreto municipal, que disciplina o uso da Praça da Bandeira.

Um dos pontos é a manutenção de apenas 240 boxes no local, contra os 284 atuais, além de recadastramento de todos os comerciantes.

O projeto

Segundo a Prefeitura, será construído um novo prédio para abrigar os boxes, com infraestrutura elétrica, hidráulica e de segurança. Também está prevista a criação de uma praça de alimentação, seguindo as normas exigidas pela Vigilância Sanitária.

A nova estrutura será erguida sobre os boxes, ou seja, a intenção é executar a obra sem a necessidade de interromper o trabalho dos comerciantes informais.

As obras terão início após a análise final da Caixa Econômica Federal (CEF), e devem ser executadas em aproximadamente oito meses, conforme a Prefeitura.
 

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