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Bugalho 'esquece' autoria de ação ao anunciar demolição na Praça da Bandeira

Da Redação

Em 08/03/2019 às 12:13

Instituições serão remanejadas para outros imóveis da Prefeitura

(Foto: Marcos Sanches/Secom)

Autor de inquérito em 2008, quando atuava como promotor de Justiça do Meio Ambiente, o prefeito Nelson Bugalho (PTB) mudou o tom ao anunciar a demolição dos imóveis construídos sob o viaduto “Comendador Tannel Abbud”. O discurso foi contrário ao pretendido há 10 anos.

Segundo Bugalho, a demolição faz parte do projeto de revitalizar a região central permitindo a unificação de ambos os lados da linha férrea. No local, será instalada uma praça de alimentação, para onde serão remanejados os boxes do camelódromo que trabalham com gêneros alimentícios.

No local, o prefeito dialogou com representantes dos estabelecimentos instalados sob o pontilhão, como a Sociedade Ornitológica Regional e o Conselho das Associações de Moradores (Camp).

Segundo ele, as instituições serão remanejadas para outros imóveis da Prefeitura. Entre os possíveis locais, estão os postos desativados pela Polícia Militar recentemente, com os imóveis devolvidos ao município. 

Além das entidades, cerca de 30 comerciantes deixarão os boxes após decisão judicial provocada por ação movida pelo Ministério Público Estadual (MPE-SP). Segundo a Prefeitura, houve pedido de prorrogação do prazo por 45 dias, mas não obteve retorno do juízo até o momento.

Ao falar com os boxistas na tarde de quinta-feira (7), Bugalho 'esqueceu' que ele foi o autor de inquérito para a retirada do camelódromo da Praça da Bandeira. Na época, o prefeito respondia pela Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e se mostrava contrário à invasão do local pelos comerciantes.

“Se dependesse da vontade do Ministério Público, autor da ação, o camelódromo seria totalmente extinto. Nós sabemos que isso traria enormes prejuízos para quem trabalha aqui e toda a população que frequenta esse espaço, por isso nos comprometemos a fazer a revitalização completa para garantir conforto e segurança aos usuários”, disse.

Abriu inquérito

Em 2008, como promotor do Meio Ambiente, Bugalho abriu inquérito com o objetivo de o Ministério Público do Estado (MPE-SP) apurar responsabilidades pela invasão da praça, que recebeu placa em homenagem ao ex-prefeito Agripino de Oliveira Lima, assíduo frequentador do local, que faleceu no ano passado. Em sua gestão, foram construídos os boxes substituindo as antigas barracas que se multiplicavam na praça a cada dia.

Na época, Bugalho sugeriu que os boxistas fossem transferidos para os galpões da antiga Ferroviária, porém, a União - dona do local - vetou a ideia. Após várias audiências sem sucesso, o camelódromo seguiu na praça.

"Não temos como abrir mão desta praça, que é um bem comum e faz parte do patrimônio histórico da cidade", falou Bugalho, em 2008.

Remanejamento

Assim que forem iniciadas as obras no camelódromo, aqueles comerciantes que tiverem de deixar seus pontos serão remanejados para outros boxes, dentro da área regulamentada do shopping popular. "Ou seja, nenhum desses empresários sairá prejudicado", promete a Prefeitura.

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