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Integração entre lavoura e agropecuária é alternativa para altas temperaturas

Da Redação

Em 09/02/2019 às 18:19

Sistemas integrados: forma mais viável para controlar temperatura e manter o solo vegetado o ano todo, diz João K. da Embrapa

(Foto: Gabriela Oliveira/Unoeste)

Está calor! De acordo com os estudos feitos pela Nasa e pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, a temperatura média da superfície da Terra em 2018 foi a quarta mais alta em quase 140 anos, com um aumento de 0,83ºC em relação à média da temperatura entre 1951 e 1980.

Já um estudo divulgado nesta quinta-feira (7) do Met Office – serviço meteorológico do governo britânico aponta que o período de 2014 até 2023 será a década mais quente no mundo nos 150 anos de dados da agência.

Essas altas temperaturas também refletem na atividade agropecuária e uma saída viável são os sistemas de produção integrados. Nesta semana, diversos produtores conheceram mais sobre a Integração Lavoura-Pecuária (ILP), no 1º Dia de Campo da Fazenda Santa Rita de Cássia, localizada em Presidente Bernardes, promovido pela Associação Rede ILPF em parceria com a Unoeste.

Os pecuaristas, agricultores, profissionais e acadêmicos presentes no evento participaram das estações Fazenda, Consórcio e Qualidade. A primeira apresentou dados sobre a ILP na propriedade; já segunda, abordou os sistemas e culturas alternativas para a ILP; enquanto a terceira teve por foco, as sementes forrageiras e os métodos de implantação da ILP.

“O nosso grande negócio é produzir protegendo o solo. À medida que você cria camadas de palha na superfície, você evita tanto a variação de temperatura como a perda de água, principalmente nos períodos sem chuva”, afirma o pesquisador da Embrapa João Kluthcouski.

Precursor dos sistemas integrados no Brasil, atuando há 32 anos na área, ele revela que já existem no Brasil cerca de 15 milhões de hectares nos sistemas integrados. “A tendência é crescer cada vez mais e a nossa maior novidade é o oeste paulista, que possui uma grande extensão de solos arenosos, que estão se tornando produtivos e sustentáveis”.

O docente Dr. Paulo Claudeir Gomes da Silva acrescenta que a escassez hídrica e as altas temperaturas da região indicam a necessidade de trabalhar melhor o ambiente de solo bem como as culturas que serão adotadas em um sistema integrado.

Durante a estação consórcio, aproveitou para apresentar alguns resultados alcançados, por meio do projeto Pequena Propriedade Produtiva Sustentável (PPPS). “Escassez hídrica e as altas temperaturas da região indicam necessidade de trabalhar melhor o solo”, afirma Silva.

Aprovam o sistema

Fábio Buchalla é pecuarista e conta que a família atua nesse ramo há 60 anos. Ele foi um dos participantes do 1º Dia de Campo ILP. “Estou aqui para aprender. Espero visualizar os benefícios desse sistema integrado para a Fazenda Santa Rita de Cássia, identificando os aspectos positivos e a viabilidade dessa prática”, diz.

Os irmãos Baptista são os anfitriões desse grande evento. O pecuarista Rômulo Neves Baptista Filho, comenta que há três anos aderiu à ILP. “Posso dizer que resistimos ao máximo para manter a pecuária raiz, mas chegou um momento que o custo operacional com o gado se tornou insustentável”, diz. Conta que, agora, a família também produz soja e milho. “Aproveitamos a fazenda em sua plenitude. Para se ter uma ideia, já economizamos mais de 10% nas despesas totais da propriedade”.

Produzir e preservar

O diretor executivo da Associação Rede ILPF, William Marchió, destaca que os dias de campo mostram que é possível produzir e preservar. “Percorrendo o oeste paulista visualizamos extensas áreas de pastagens degradadas que não produzem quase nada ou muito pouco, além de animais em condições nutricionais deficitárias. O nosso intuito é fomentar a intensificação sustentável da agropecuária brasileira e o papel desses agentes regionais, como a Unoeste, são fundamentais”, encerra.

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