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Linhas reduzidas e sem integração: Prudente Urbano quer tarifa de R$ 4,70

Rogério Mative

Em 11/12/2019 às 16:20

Prudente Urbano promoveu o corte de horários em várias linhas após vencer licitação

(Foto: Sérgio Borges/NoFoco)

Horas de espera, pontos sem cobertura, ônibus lotados, terminais sem integração e linhas com horários reduzidos. Além de todos esses problemas encontrados no transporte coletivo de Presidente Prudente, o usuário pode contar, em breve, com mais uma notícia desagradável: agora, para o bolso. A concessionária Prudente Urbano (Company Tur Transporte e Turismo, ex-Pruden Express) apresentou pedido para reajuste de tarifa em R$ 0,60.

Ou seja, dos atuais R$ 4,10, a população pode ter que desembolsar R$ 4,70 nos próximos dias. Antes, porém, precisa da aprovação do prefeito Nelson Bugalho (PTB), que aguardará parecer técnico da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob).

De acordo com a Prefeitura de Prudente, a solicitação da empresa foi protocolada nesta quarta-feira (11). Com o pedido, a Prudente Urbano anexou um relatório de custos operacionais justificando o reajuste da tarifa para R$ 4,70.

Ainda conforme a Prefeitura, técnicos da Semob estão reunidos para analisar o pedido da concessionária e elaborar uma contraproposta. "Ambos os estudos serão apresentados ao prefeito, para que seja definido o valor da tarifa para 2020", explica, em nota enviada pela Secretaria Municipal de Comunicação (Secom).

Sem ponto e linhas reduzidas

Desde que assumiu os trabalhos mediante ao novo contrato com nome fantasia alterado, a Prudente Urbano promoveu o corte de horários em várias linhas. É o caso dos itinerários Ana Jacinta x Cambuci e Ana Jacinta x Jardim Regina. Antes em hora em hora, alguns horários passaram para intervalos de 1h30.

Outro problema enfrentado pelos usuários é em relação ao último horário disponibilizado no período noturno. Se antes havia ônibus até 23h45 (passando pelo Centro), agora as linhas - em pequena parte - têm como última viagem partida as 23h. A maior parte encerra às 22h30 e 22h45.

A situação piora aos fins de semana e feriado, com horários ainda mais reduzidos. "Quem precisa de ônibus para ir a um posto de saúde ou hospital está perdido. Aqui no João Domingos é um sofrimento sem fim. Ou você paga Uber ou anda a pé", reclama a dona de casa Ângela Cristina da Silva.

"Não temos segurança. Pontos de ônibus sem um abrigo para nós em dias de chuva ou sol. É ridículo imaginar que vou ter que pagar R$ 4,70 para algo que não funciona na cidade", pontua o segurança Pedro Veiga de Oliveira.

Promessa não cumprida

Presentes nos planos de Mobilidade Urbana e de Reestruturação do Transporte Público, os terminais urbanos espalhados pelos quatro cantos de Presidente Prudente têm como missão principal proporcionar a integração total do sistema, diminuindo os custos de operacionalização e facilitando a vida dos passageiros que dependem de ônibus todos os dias.



Porém, após passar por anos abandonados, os equipamentos públicos seguem longe de oferecer comodidade, agilidade e conforto aos usuários.

Exigência para o aumento da tarifa, em janeiro, os terminais deveriam atender a população, progressivamente, desde o início de fevereiro.

Contudo, atualmente, eles servem apenas como "pontos gigantes" sem proporcionar integração entre eles. Caso fosse implantado, o sistema reduziria os gastos com passagens aos usuários que poderiam utilizar até dois ônibus pagando apenas uma passagem.

Atraso de pagamento e caso no MPE

A Prudente Urbano opera no município desde 1993, quando o então prefeito Agripino de Oliveira Lima interviu na extinta Brasília S/A. Na época, a Company Tur assumiu o transporte de forma emergencial junto com a Jandaia e empresas do grupo do também ex-prefeito Paulo Constantino.

Após vencer a licitação ao lado da extinta TCPP - ainda com o nome de Pruden Express -, a empresa seguiu à frente do serviço até 2017, quando foi realizado novo certame.

De lá para cá, a Prudente Urbano - operando sozinha - acumula centenas de reclamações de munícipes, quebras de ônibus com direito a perda de eixo, representações no Ministério Público Estadual (MPE), atraso no pagamento de outorga e investigação na Câmara Municipal, que foi arquivada em placar apertado.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com representantes da empresa solicitando posicionamento sobre o pedido de reajuste, contudo, não obteve resposta até o momento.

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