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Ministro aborda ineficiência jurídica durante palestra em Prudente

Da Redação

Em 05/11/2019 às 17:29

Quanto ao futuro do país, Barroso afirma ter uma visão otimista e construtiva

(Foto: Ector Gervasoni/AI Unoeste)

“Educação básica de qualidade, Justiça eficiente, elevação da ética pública e privada, e enfretamento da desigualdade social são mudanças decisivas para o desenvolvimento do país”, afirma o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dr. Luís Roberto Barroso. Uma das autoridades máximas do Poder Judiciário brasileiro esteve em Presidente Prudente, na noite dessa segunda-feira (4), para ministrar uma palestra.

O painel “A Ótica sob o Judiciário Brasileiro” foi apresentado por Barroso para cerca de 1 mil pessoas, entre estudantes, professores, advogados, desembargadores, procuradores, juízes, promotores, delegados, dentre outras autoridades e representantes de entidades de classe, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Prudente).



Durante uma hora e meia, o ministro abordou assuntos que estão em evidência no país e no mundo. Dentre outros temas, falou sobre educação; questões ambientais, como aquecimento global e desmatamento da Amazônia; corrupção; ineficiência do sistema judiciário; e necessidade de mudanças no sistema tributário. Durante entrevista à imprensa, também falou de assuntos polêmicos, como a decisão que está nas mãos do STF sobre a legalidade da prisão após condenação em 2ª instância.

Para os estudantes propôs três pactos, com destaque para a educação. “O Brasil se atrasou por não ter investido de maneira adequada e suficiente em educação básica. Universalizamos a educação fundamental no Brasil praticamente 100 anos depois dos Estados Unidos, e isso explica muitas das causas da defasagem resistente. Países que nos anos 60 estavam atrás do Brasil, como a Coreia do Sul, por exemplo, que fizeram investimento maciço no setor e deram um salto na história. Esse é um investimento decisivo e os diagnósticos já foram feitos. Os grandes problemas da educação no Brasil são: não alfabetização da criança na idade certa, evasão escolar no ensino médio, déficit de aprendizado e não atratividade da carreira de professor”, ressaltou.

Quanto ao futuro do país, Barroso afirma ter uma visão otimista e construtiva, apesar de o momento ser difícil. “O trauma do impeachment, os avanços nas investigações sobre corrupção, uma recessão persistente, os maiores índices de desemprego, perda de renda, sensação de mediocridade geral dominando... Portanto, houve um abalo na autoestima brasileira. Porém, estamos vivendo um processo de refinação, um novo começo em que a sociedade se deu conta de que estamos sendo menos do que podemos e queremos ser”, pontua.

Para ele, a população se tornou mais consciente, mobilizada, exigente e com uma imensa demanda por integridade, idealismo e patriotismo. “Tanto que a minha fé no país não tem a ver com o governo, ideologia, nem partido, tem a ver com o movimento de baixo para cima, de uma sociedade que quer um país melhor e maior, e para isso temos que enfrentar muitos problemas”, acredita.

Em relação à desigualdade, o ministro salienta que ninguém se torna desenvolvido e fura o cerco da renda média com 5% da população tendo mais renda do que 95%, “e isso não é posição de esquerda, de centro ou direita, é de sentimento mínimo de Justiça, é de decência que as pessoas devem ter em relação ao outro”.

Sobre o judiciário, ele também anseia por um sistema de justiça que funcione verdadeiramente. “Temos quadros altamente qualificados que custam caros, mas a estrutura, as leis processuais e os recursos fazem com que a Justiça seja ineficiente, e falo isso porque eu integro o judiciário, tenho admiração e respeito pelas pessoas que dedicam a vida a tentar fazer Justiça, mas o sistema é ruim, custa caro e entrega um produto que nem sempre é de boa qualidade pela demora, sobretudo”.

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