| Presidente Prudente/SP

Parque do Povo 'vira' rio e ruas ficam bloqueadas; Prefeitura promete mutirão

Rogério Mative

Em 13/01/2020 às 20:19

Carros foram arrastados durante a chuva no Parque do Povo

(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O volume de chuva não passou dos 30 milímetros na tarde desta segunda-feira (13), mas foi suficiente para fazer do Parque do Povo e suas avenidas um verdadeiro rio, com carros sendo levados pela enxurrada e pessoas ilhadas.

Em toda a cidade, outros pontos de alagamentos foram registrados, como a Avenida Ana Jacinta. A Prefeitura de Presidente Prudente promete um mutirão para recolhimento de galhos e desobstrução de vias.

Em vários vídeos publicados nas redes sociais, as imagens mostram o Parque do Povo tomado pela água da chuva, que arrastou veículos, motos e até caçamba de lixo.

Pessoas ficaram ilhadas na tentativa de atravessar os pontos de alagamentos, que se concentraram em locais atípicos, como a Avenida da Saudade, Avenida Washington Luís, além de ruas da Vila Geni, Vila Nova, Jardim Sabará, Jardim Barcelona, entre outros.



Promete mutirão

A Prefeitura informa que já está com equipes atuando no recolhimento de galhos, desobstrução de vias e outras ações voltadas a solucionar os prejuízos causados pela forte chuva.

Os trabalhos serão intensificadas logo nas primeiras horas da manhã desta terça, em que o município fará um mutirão, com o envolvimento de várias secretarias.

"É importante ressaltar que a Prefeitura mantém equipes da Secretaria de Obras para desobstrução de bocas de lobo e assim permitir o escoamento das águas pluviais. Estes bueiros [são mais de 10 mil na cidade] têm sido frequentemente obstruidos por sacos de lixo, colchões, travesseiros, móveis e outros itens que, ao serem colocados irregularmente na calçada, acabam sendo arrastados pela chuva", diz, em texto enviado pela Secretaria Municipal de Comunicação (Secom).

Problema eterno, tem solução?

Visto como um problema sem solução por especialistas ao longo dos anos, o alagamento no Parque do Povo depende de obras que custariam em torno de R$ 30 milhões, segundo a Prefeitura.

"Para sanar de vez o problema histórico dos alagamentos no local, haveria a necessidade de promover obras de grande monta, com abertura de novas galerias e ampliação da vazão nas já existentes, além de refazer a ponte sobre o Córrego do Veado", diz a Prefeitura.

Porém, a alegação é de que o município não tem condições para colocar em prática o plano de drenagem. "As obras requerem investimento muito alto e o município, sozinho, não tem condições de suportá-lo, sendo necessário o apoio de outras esferas de governo ou de empréstimos bancários por parte de instituições internacionais", finaliza.

Ação judicial

Em 2017, a Promotoria de Justiça da Habitação e Urbanismo de Presidente Prudente moveu ação civil pública visando obrigar a Prefeitura a realizar estudo técnico de toda a rede de drenagem de águas pluviais da microbacia do Córrego do Veado, com o apoio técnico do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee).

Estudo realizado pelo setor técnico de apoio à Promotoria de Justiça aponta a impermeabilização do solo para a construção de um shopping center, erguido em área de preservação permanente do córrego, dentre os fatores responsáveis pelos alagamentos.

A Promotoria ainda pede que a Prefeitura insira na Lei Orçamentária Anual (LOA) verba destinada para as obras necessárias no Parque do Povo "não se descartando ainda eventual acionamento do empreendimento comercial mencionado".

Em 2018, a Justiça deu um prazo de 180 dias para a apresentação do estudo.

Problema antigo

Conforme publicou o Portal, os problemas tiveram início com a reurbanização da área do Parque do Povo em 1976, além da canalização do trecho inicial do Córrego do Veado.

Ao longo dos anos, vários levantamentos foram realizados, contudo, sem a apresentação de uma solução viável. Em 2016, a Prefeitura pediu ajuda ao Instituto de Pesquisa Tecnológicas para estudar a reabertura do canal fechado em 1995. Entre as possíveis soluções, foi apontada ainda a construção de galerias paralelas e piscinões.

Especialistas defendem que a área é inundável devido as características anteriores, ou seja, os alagamentos serão crônicos.

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