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Prefeitura ignora audiência sobre aterro no Timburi

Marcado por embates, encontro lotou sede da OAB de Prudente

ROGÉRIO MATIVE

Em 07/03/2017 às 23:24

Com mais de 300 pessoas presentes, o evento foi marcado por embates e a ausência de representantes da Prefeitura

(Foto: ROGÉRIO MATIVE)

Assunto que anda provocando embates acalorados, a construção de aterro no Bairro Timburi, zona rural de Presidente Prudente, foi debatida durante audiência pública na tarde dessa terça-feira (7), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Com mais de 300 pessoas presentes, o evento foi marcado por embates e a ausência de representantes da Prefeitura.

Comandada pelo secretário-executivo do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), Germano Seara Filho, a audiência teve início com a apresentação do plano de implantação do aterro e do estudo de impacto ambiental. Presente com diversos diretores do Grupo Estre, a GeoVision defendeu o empreendimento alegando que nascentes e matas não serão afetadas.

Conforme a empresa, o aterro terá vida útil estimada em 15 anos recebendo 1 tonelada de lixo por dia. Para a elaboração do estudo, foram realizadas 22 sondagens no terreno, sendo oito apenas na área do aterro. A meta é iniciar os trabalhos até o fim deste ano.

Por diversas vezes, moradores e proprietários rurais interromperam as explicações com gritos e opiniões contrárias ao material apresentado. Entre os presentes, o ex-prefeito de Prudente, Carlos Roberto Biancardi, diversos padres, representantes de entidades e Organizações Não Governamentais (ONGs), além do promotor Gabriel Lino de Paula Pires, do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema), que instaurou inquérito civil para apurar possíveis riscos e danos ambientais devido a implementação do aterro.

"Papel aceita tudo. Tem tantas áreas que indicaria para vocês, mas não o Timburi. Nós não queremos arrumar atritos", discordou do estudo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, João Altino Cremonezi. Cada inscrito teve cinco minutos para opinar sobre o assunto.

Criticou audiência

A Câmara Municipal esteve representada por nove vereadores: Demerson Dias (PSB), Ivan Júnior (PTB), Adão Batista (PSB), Rogério Galindo (PSDB), Anderson Silva (PSB), Geraldo de Souza (PSB), Willian Leite (PPS), Elza do Gás (PTB) e Natanael Gonzaga (PSDB).

Ao fazer o uso da palavra, Ivan Júnior criticou o Consema pela condução dos trabalhos. "Fica aqui o repúdio da Câmara pelo jeito da condução dessa audiência. Precisa-se mudar a forma da condução dessas audiências públicas", disse.

"A Câmara Municipal é contra o aterro no Timburi. Nós temos um Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos de 2012 e essa empresa veio a Prudente achando que não temos lei no município. As pessoas não foram ouvidas", pontuou. Ivan Júnior ainda fez a leitura de um ofício assinado pelo presidente do Legislativo, Enio Perrone, citando leis aprovadas recentemente.

Ignorou

Seguindo o silêncio adotado desde o início das discussões sobre o aterro, o prefeito Nelson Bugalho (PTB) - promotor de Meio Ambiente licenciado e ex-presidente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) - não compareceu ao encontro. A Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, também não enviou representantes à audiência.

Próximo passo

Após a audiência, a Cetesb receberá os documentos, questionamentos e posicionamentos contrários ao aterro e iniciará a análise técnica do processo de obtenção da Licença Prévia (LP) pleiteada pela Geovision.

Procurada pela reportagem, a empresa ainda não se pronunciou sobre a audiência.
 

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