| Presidente Prudente/SP

Prudente atingirá ápice de casos de covid-19 no fim de junho, diz pesquisador

Da Redação

Em 03/06/2020 às 09:00

Até o momento, a região registra 321 pessoas infectadas por covid-19 desde o início da pandemia no país

(Foto: Edgar Su/Reuters)

Em menos de 30 dias, o total de casos positivos de coronavírus pode chegar a 2 mil na região do Oeste Paulista. A projeção é feita pelo pesquisador do Laboratório de Biogeografia e Saúde do Departamento de Geografia da Unesp de Presidente Prudente, Raul Guimarães.

Até o momento, a região registra 321 pessoas infectadas por covid-19 desde o início da pandemia no país. Na fila de exames, 239 casos suspeitos aguardam diagnósticos do Instituto Adolfo Lutz ou de laboratórios conveniados ao órgão.

Já a capital do Oeste Paulista contabiliza 157 registros positivos de coronavírus. Até o momento, 10 pessoas morreram em decorrência do vírus e 19 pacientes seguem internados em hospitais da cidade.

Até o fim do mês

Para Guimarães, o ápice da pandemia na região será atingido no fim deste mês. Contudo, o pesquisador ressalta que a população pode ter participação determinante para evitar novas contaminações no período de flexibilização da quarentena, que teve início na última segunda-feira (1º).

"Tudo dependerá conforme o comportamento da população na flexibilização a partir de segunda-feira. Em Prudente, há uma transmissão exponencial e ainda não se sabe quando atingiremos o teto da curva. Nossa taxa de transmissibilidade é de quase dois, e isso é muito alto. Em Prudente, cada indivíduo infectado [sintomático ou não] transmite para duas pessoas", pontua.

Foto: Cedida/AI Motiva

Segundo ele, a taxa deve ficar em '-1'. "É quando a curva começa a cair e um indivíduo transmite o vírus para menos de uma pessoa", explica.

"Se no momento temos 500 confirmados, daqui a 30 dias, podem ser 2 mil. Nossa região conta com 50% da taxa de ocupação dos leitos de UTI até o momento, no entanto, em 30 dias, vamos atingir 100%”, alerta.

Ao defender seu prognóstico, Guimarães cita a disseminação da doença pelas cidades que compõem a faixa litorânea. "No início de maio, no Estado de São Paulo, não havia uma cidade com mais de 100 mil habitantes sem Covid. Já no final do mês, essa estatística passou para cidades com 15 mil habitantes", fala.

"A faixa litorânea da costa brasileira conta com mil municípios, desses, hoje, restam 30 cidades sem Covid", complementa.

Estudo sobre transmissão para cidades menores

Há 30 anos, Raul Guimarães integra o Departamento de Geografia da Unesp de Prudente. E desde novembro, estuda intensamente sobre a pandemia provocada pela Covid-19, em conjunto com alunos e docentes de Medicina e Bioestatística da USP e Unicamp.

Recentemente, o grupo realizou um estudo que identificou um modelo de difusão hierárquica do vírus, ou seja, processo de transmissão feito das cidades de grande e médio porte para municípios menores, em efeito cascata.

"Identificamos 13 cidades do interior paulista que tinham um risco maior de receber a disseminação viral, e uma dessas foi Presidente Prudente. Isso ocorre por dois componentes, a aglomeração e a mobilidade. Além disso, Prudente tem uma forte integração com outras cidades", pontua.

Pós-pandemia

O pesquisador acredita que o coronavírus será uma doença endêmica, ou seja, pode nunca mais desaparecer como é o caso da dengue.

"A humanidade assiste apenas a primeira pandemia da globalização, e há quem diga, essa não será a última. Mas o que se sabe é que a Covid-19 [SarsCov2] será uma doença endêmica. Sem dúvidas, 2020 é um ano referência para diversas transformações, desde o modo como vivemos percorrendo pelas mudanças geopolíticas, dentre outros", finaliza. (Colaborou Assessoria de Imprensa da Motiva Consultoria em Gestão de Pessoas)

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