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Prudente e Venceslau somam 20% dos casos de leishmaniose no Estado

Da Redação | Agência Brasil

Em 02/12/2019 às 12:07

Mosquito Palha se alimenta com o sangue do cachorro infectado e transmite a doença para outro saudável

(Foto: Arquivo)

A região de Presidente Prudente concentra a maior prevalência de leishmaniose, com a capital do Oeste Paulista e Presidente Venceslau somando, juntas, 20% de todos os registros da doença em todo Estado de São Paulo.

Dados do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Sinan) de 2014 até o dia 11 deste mês apresentam 746 notificações de leishmaniose visceral em Gerências de Vigilância Epidemiológica (GVE), dos quais 149 nas de Prudente e Presidente Venceslau, o que representa quase 20%.

Foram 63 óbitos no Estado e nove da região, ou seja: 14,28%.

Dois tipos

Existem dois tipos de leishmaniose: tegumentar e visceral. Como a visceral é a mais grave, por atacar os órgãos do corpo e poder levar à morte, geralmente é mais discutida.

A tegumentar, embora não leve à morte, pode gerar incapacidades por acometer as mucosas da boca, garganta e nariz.

São doenças para as quais não existe vacina e quando se instalam em uma região, não vão mais embora.

Fatores em potencial na região

O ciclo biológico da doença tem força no Oeste Paulista por ser uma região de clima seco no inverno e úmido e chuvoso no verão. Com a ausência da floresta tropical que ao longo dos anos foi dizimada, substituída por cerrados e pastagem, o meio ambiente natural foi alterado completamente, o que ajuda na proliferação do vetor: o mosquito palha.

O inseto se alimenta com o sangue do cachorro infectado e transmite a doença para outro saudável, como também ocorre com roedores e com o ser humano.  Os cães são os principais reservatórios, inclusive pela grande quantidade de abandono pelos proprietários.

A proliferação tem maior incidência em depósitos irregulares de lixo. Somente em Prudente, existem 54.

Leishmaniose mais agressiva

Uma pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) mostrou como um determinado vírus faz com que a leishmania - protozoário causador da leishmaniose - torne-se mais agressiva aos humanos.

A leishmaniose tegumentar, transmitida ao ser humano pela picada das fêmeas do mosquito palha, causa lesões localizadas na pele. No entanto, em casos mais graves, quando há a disseminação das feridas, as lesões passam a aparecer também nas mucosas, frequentemente no nariz, boca e garganta, podendo desfigurar o rosto do paciente. Neste estágio, conhecido como o da leishmaniose mucocutânea, a doença pode se tornar letal.

Os pesquisadores já tinham conhecimento de que leishmania, quando infectada com o vírus LRV (Leishmania RNA virus), era capaz de desenvolver os casos mais graves da doença. A pesquisa da USP mostrou agora como o vírus possibilita ao protozoário se desenvolver de forma agressiva.

“Quando a leishmania infecta as pessoas fica uma queda de braço. Ela querendo sobreviver e nosso sistema imunológico tentando eliminar o parasita. Mas, quando a leishmania tem o vírus, ele' desliga' alguns dos mecanismos do nosso sistema imunológico que combatem o parasita”, destaca o autor da pesquisa, Renan Carvalho, cientista do Departamento de Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos da FMRP-USP.

De acordo com a pesquisa, quando a leishmania, infectada com o LRV, invade o corpo humano, o vírus ativa um receptor nas células chamado TLR3, o que faz com que o sistema imunológico comece a produzir a substância interferon do tipo 1. O interferon, por sua vez, induz a autofagia das células humanas, ou seja, o processo de degradação e reciclagem de componentes da célula.

Com isto, as células humanas ficam mais vulneráveis, já que a presença do interferon impede a ação do inflamassoma, um conjunto de proteínas do sistema imunológico que combate a leishmania.

“Como essa proteína que mata a leishmania está sendo silenciada pelo vírus, a leishmania consegue sobreviver melhor, proliferar melhor e causar aquela forma da doença mais grave que é a leishmaniose mucocutânea. O parasita migra para o rosto das pessoas, tanto para a boca quanto para o nariz, e desfigura o rosto do paciente”, destaca Carvalho.

De acordo com o pesquisador, o estudo abre caminho para novas formas de combater a leishmaniose e tratar os pacientes. “A gente propõe que, a partir de agora, o paciente que chegue com suspeita de leshmaniose, ele seja diagnosticado não apenas para ver se tem a leishmania, parasita, mas que seja também feita uma análise molecular para ver se a leishmania possui o vírus”, diz Carvalho.

Segundo o cientista, caso diagnosticado com a leishmania portadora do vírus, o paciente deverá receber, além do tratamento convencional contra a leishmaniose, drogas capazes de combater também a ação do vírus. Essa medicação, no entanto, ainda está em fase de pesquisa.

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