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Amizades, paixões e amores

(*) João Bosco Leal

Em 09/08/2011 às 13:45

Antes da primeira palavra ser dita entre pessoas que estão se conhecendo, normalmente já surge uma afinidade maior ou menor entre elas. Alguns são mais alegres que outros, mais ou menos carismáticos e possuem expressões faciais que nos agradam ou desagradam desde o primeiro momento.

Conscientemente, ao conhecer novas pessoas ninguém pretende se afastar, mas se aproximar e esse primeiro contato pode nos levar tanto a uma nova amizade, como a um desinteresse sequer por um segundo encontro.

Sentimentos assim, inexplicáveis, movem toda a vida sentimental dos seres humanos em suas buscas, descobertas, aproximações, afastamentos, alegrias e tristezas em seus relacionamentos, de quantidades e intensidades diferentes em cada um, mas sempre estamos buscando conhecer novas pessoas e lugares, sentir novas emoções, realizar aventuras, corrrer mais ou menos riscos.

Nessas tentativas podemos conhecer pessoas que nos provoquem sensações desconhecidas ou não sentidas ultimamente, tanto de um verdadeiro asco, como o desejo de maior aproximação, de aprofundar o conhecimento, ou ainda atrações físicas e fantasias.

As que provocam o desejo de maior conhecimento podem se tornar nossas amigas, namoradas e até esposas, enquanto as que provocam atrações físicas podem até se tornar qualquer uma dessas coisas, mas certamente não serão suficientes para sustentar nenhuma amizade ou um relacionamento mais duradouro, que ultrapassem os momentos de prazer que poderão nos proporcionar.

Em outros períodos, mais raros, a nossa procura tende a ser mais interior, sem buscar nenhum conhecimento externo além do nosso próprio Eu. São ocasiões em que dirigimos nossas buscas para nosso interior, querendo saber mais sobre o nosso próprio ser, entender o porque somos dessa ou daquela maneira e os motivos que nos tornaram assim.

É durante esses períodos, de auto conhecimento, que mais crescemos como pessoas, seres humanos. Temos aí a oportunidade de percebermos nossos erros e acertos, buscar correções, mudanças de rumo, seguirmos por rotas ou de modo diferente, sendo mais ou menos exigentes com os outros e com nós mesmos.

Buscando entender quem realmente somos, logo perceberemos, lá no fundo, coisas que não conhecíamos sobre nós mesmos e que muitas vezes até nos surpreenderão, mas certamente também virá a certeza, clara, indiscutível, que somos o resultado de todo o nosso passado, o que ocorreu em nossas vidas.

O que fizemos, sentimos, gostamos, recusamos, com o que sofremos e vibramos, nossa alimentação, vestes, amizades, os filmes que assistimos, os livros que lemos, lugares onde vivemos e as viagens que fizemos nos moldaram assim, em seres únicos, especiais.

Com essa moldagem própria sentiremos, de modo diferente de todos os outros seres, cada nova ocorrencia em nossas vidas. Novas amizades, trabalhos, relacionamentos, ou reações em diversas situações, como uma provocação recebida no trânsito, serão encaradas de maneira distinta por cada um.

Podemos gostar ou odiar cada pessoa que conhecemos ou fatos que ocorreram, de modo inverso à abordagem dada por outra pessoa, sem nenhum motivo justificável, simplesmente porque cada um pensa e age de modo diferente do outro, como ocorre com nossas predileções religiosas, futebolísticas, físicas e alimentares, por mais que tenhamos afinidades em diversos outros assuntos.

São iguais para todos as durações dos sentimentos gostar, paixão e amar. São elas, respectivamente: imediatamente; por um período; ou que durará a cada amanhecer e anoitecer, pelo resto de nossas vidas.

(*) João Bosco Leal é articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários
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