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A política prudentina e a arte de desconstruir

O Portal

Em 16/06/2020 às 10:21

Em 1929, o governador Júlio Prestes ao lado dos fundadores da cidade, os coronéis José Soares Marcondes e Francisco de Paula Goulart

(Foto: Arquivo/Museu Municipal de Prudente)

Em tempos de crise, catástrofes, pandemias e de guerras, as adversidades são vencidas apenas por meio da união de pessoas, grupos e de pensamentos. Em Presidente Prudente, uma cidade selada pela divisão que a acompanha desde sua criação - zona leste ou oeste, Goulart ou Marcondes -, o ego inflado e a falta de habilidade política são os responsáveis por minar qualquer tipo de progresso.

Atualmente, a capital do Oeste Paulista sofre com a necessidade de alguns em aparecer mais e agir menos. A luta, pautada pelo atual cenário provocado por um vírus, é de sobrevivência, do reaquecimento da economia já fragilizada e do salvamento de empresas e empregos. Ao mesmo tempo, segue a missão em proteger os mais vulneráveis do coronavírus.

Em 24 horas, o maior representante do município deu mostras de que ter habilidade e preparo político é de fundamental importância e para poucos.

Guiado pelo seu mentor, o mesmo que o bloqueou de seus sonhos no passado, o prefeito Nelson Bugalho (PSDB) decidiu ignorar o convite do deputado Ed Thomas (PSB), que esteve ao lado de 10 prefeitos em reunião com o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) e com o secretário estadual de Desenvolvimento, Marcos Vinholi. Em pauta, a luta pela manutenção da abertura do comércio - com regras e restrições - como forma de evitar a falência múltipla da economia da região.

Mas, Bugalho decidiu seguir um outro caminho: comparecer apenas no encontro agendado pelo deputado estadual Mauro Bragato (PSDB) um dia depois. O assunto em pauta? O mesmo.

Bugalho e Bragato poderiam simplesmente ter participado do debate de segunda-feira (15). E, de forma altruísta, terem convidado todos para a reunião no dia seguinte até porque o espaço no Palácio dos Bandeirantes é amplo e qualquer tipo de aglomeração pode ser evitada, caso fosse essa a preocupação.

Porém, Bugalho resolveu promover o discurso da divisão. Em redes sociais, classificou o seu encontro como o "oficial". Ou seja, para ele, a reunião com a presença dos deputados Ed Thomas e Reinaldo Alguz (PV) foi apenas parte de "ações populistas e politiqueiras", como citou em sua postagem na internet.

O que impediria a dupla de somar esforços em pauta única? Esta é a pergunta que fica diante da inércia do governo estadual em ajudar, de forma efetiva, a região considerada a mais pobre do Estado de São Paulo.

Esquecendo-se de que acusar é mais fácil de que ser acusado, Bugalho deixou claro que pacificar não é sua praia. Após algumas horas de se livrar de investigação por possíveis irregularidades administrativas ao longo dos três anos e meio de governo, o prefeito usou, mais uma vez, as redes sociais - pelo seu perfil ou por grupos de WhatsApp - para classificar a votação de abertura de Comissão Processante na Câmara Municipal como a orquestração de um "golpe" para tirá-lo da cadeira do Executivo.

De forma infeliz, esqueceu que tem um vice ao seu lado (Douglas Kato, que segue firme no cargo) e, caso realmente fosse cassado (o que estava longe de acontecer), não seria a tal "oposição" que assumiria a Prefeitura no "tapetão".

Para um município que já contou com grandes articuladores políticos, como Tadashi Kuriki, Domingos Leonardo Cerávolo, Rubens Mendes Félix, Ubaldo Gomes Correa, Antônio Zacharias, Walter Lemes Soares, Mário Eugênio, entre tantos outros, a história não poder ser resumida em rupturas: por ciclovias destruídas ou, muito menos, por ausências e falas segregadas.

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