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Editorial: Camelódromo e suas inverdades verdadeiras

Editorial

Em 22/11/2018 às 08:45

Durante a solenidade improvisada, Bugalho fez um discurso para enterrar o passado e selar a paz com os boxistas para sempre

(Foto: Marcos Sanches/Secom)

EDITORIAL

Pode parecer contraditório, mas quem brigou pela retirada dos boxistas, agora, anuncia um investimento por meio de financiamento de R$ 4,5 milhões no Camelódromo, local preferido dos prudentinos para a compra de eletrônicos, que também já foi da Polícia Militar com seus arrastões contra a pirataria.

Durante a solenidade improvisada no espaço tomado da Praça da Bandeira pelo Shopping Popular (frequentado por ricos e pobres), o prefeito Nelson Bugalho (PTB) - promotor de Justiça de Meio Ambiente licenciado - fez um discurso para enterrar o passado e selar a paz com os boxistas para sempre.

Fez questão de frisar que a obra é uma “resposta a inverdades” que "sugeriam" que o governo municipal pretendia “acabar com o Shopping Popular”. Muito pelo contrário, "nós estamos investindo no camelódromo, para que ele possa atrair ainda mais consumidores, garantindo mais conforto e segurança a quem frequenta e trabalha aqui”, declarou Bugalho.

É verdade, o governo municipal nunca discutiu o fim do espaço "cedido" pelo ex-prefeito Agripino de Oliveira Lima aos boxistas, que antes contavam apenas com simples barracas e lonas. Nem por Agripino, Carlos Biancardi, Milton Carlos de Mello (Tupã) e muito menos pelo prefeito Nelson Bugalho.

Contudo, foi declarado pelo então promotor de Justiça Nelson Bugalho, em 2008, quando instaurou um inquérito para apurar responsabilidades da invasão da praça tendo como alvo os boxistas e a Prefeitura há exatos 10 anos. "Não temos como abrir mão desta praça, que é um bem comum e faz parte do patrimônio histórico da cidade", disse na época.

Como diz o curto ditado, recordar é viver. E Bugalho já somou outras brigas por praças, como a recolocação dos bancos na Praça Monsenhor Sarrion e a retirada do recuo realizado na Praça Nove de Julho para a parada de ônibus. Nestas, duas vitórias conquistadas.

Não conseguiu o que seria seu maior feito: restaurar a Praça da Bandeira por completo. O que poderia tornar-se uma pedra no sapato em sua vida política, uma decisão judicial o "ajudou" duplamente: a sepultar seu sonho como promotor e a selar a paz com os boxistas estruturando um possível novo desejo. Talvez, buscar a reeleição?

Agora, com programas municipais descontinuados, novos parques praticamente esquecidos e mais de 100 mil mudas doadas pela Cesp perdidas, Bugalho pode resgatar seu espírito ambientalista empregado brilhantemente quando promotor e fazer de Presidente Prudente uma das cidades mais arborizadas do país, combatendo efetivamente o corte progressivo de árvores na capital do Oeste Paulista.

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