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Estádio Prudentão: a necrose do esporte prudentino

Editorial

Em 29/11/2018 às 21:31

Palco de grandes decisões, Estádio Prudentão vive com a presença de nuvens negras na definição do seu futuro

(Foto: Jefferson Martins)

Talvez poucos devem lembrar, pois 8,2 mil testemunhas estavam presentes. Há exatos seis anos, o Estádio Paulo Constantino (Prudentão) foi palco do quarto título Brasileiro do Fluminense, conquistado diante do Palmeiras com três rodadas de antecedência.

Passado esse curto espaço de tempo - o que são seis anos? -, muita coisa mudou no esporte prudentino, principalmente com o futebol, sendo o mais prejudicado aquele que já abrigou estrelas como Ronaldo Fenômeno e sua queda de alambrado ao 100° gol de Neymar como profissional.

O Prudentão também viu Obina brilhar no maior clássico paulista e balançar as redes por três vezes em tarde inspirada dele e do Palmeiras contra o Corinthians. Antes, o mesmo clássico marcava a era de grandes jogos na cidade com espetacular atuação do esquadrão alviverde responsável por 100 gols no Paulistão de 1996.
 
E tudo começou com a audácia de dois administradores visionários: Paulo Constantino, que projetou o maior estádio do Interior, e Agripino de Oliveira Lima Filho, que terminou a obra e alavancou a vinda do futebol de elite para o sertão prudentino.

Graças ao Prudentão, a cidade antes lembrada por invasões de terra e notícias negativas no jornalismo nacional foi elevada e divulgada como a casa de grandes times brasileiros.

Não atoa, o afilhado político de Agripino Lima, o ex-prefeito Milton Carlos de Mello (Tupã), aproveitando-se da guerra de poderes em Barueri, teve a grande sacada de convidar o Grêmio Barueri a mudar de endereço.

O começo foi eletrizante, com um fim decepcionante. Mas, se o clube não logrou sorte em terras prudentinas, a capital do Oeste Paulista ganhou maior projeção nacional, marketing gratuito, que muitos críticos não sabem até hoje o valor de tudo isso.

E como uma planta que morre aos poucos, as primeiras folhas a secarem foram o Grêmio Prudente e o Presidente Prudente FC, representantes da cidade no Campeonato Paulista da 4° Divisão, que após altos e baixos, vivem de reflexão intensa sobre participar ou não do próximo certame.

Em quase todos os lugares, onde o futebol vai bem todas as outras modalidades são empurradas a postos de destaque. Caso contrário, definham juntos.

Atualmente, este é o cenário vivido em Prudente. Celeiro de grandes atletas no futebol, basquete, natação, atletismo, entre outros, o município briga para ser apenas o terceiro colocado nos Jogos Regionais. As escolinhas de base e formação já não apresentam os mesmos resultados, ora por falta de recursos, ora por mais pessoas que amem realmente o que fazem.

O campeonato amador de futebol, morto e ressuscitado tantas vezes, segue na penúria, sem incentivo e com um nome diferente a cada ano, apesar de uma torcida sempre presente nos campos varzeanos.

Como cobrar de um campeão olímpico que conquistou medalhas pelo nosso país e tremulou a bandeira de Prudente sem condições nenhuma de treino, que agora vive sem condições, cortes diários de verba do próprio governo que o escolheu?

O Prudentão é o reflexo de tudo isso. Antes, com sua grama verde e bem cuidada pelo falecido Velho Chico, agora com seu tapete amarelado, suas dependências abandonadas, arquibancadas desmoronando e sua fachada desfigurada.

Para amargar a situação, nesta semana, a Federação Paulista de Futebol (FPF) decidiu interditar o estádio por falta de renovação do laudo técnico. Desta forma, o Prudentão não pode receber eventos profissionais organizados pela entidade esportiva.

Considerado "caro", o laudo que custa em torno de R$ 15 mil não desperta preocupação do governo municipal. A interdição é vista como um alívio para, talvez, justificar a falta de interesse pelo esporte local.

Ao atual prefeito, promotor de Meio Ambiente, fica o pedido de preservar ao menos o verde da grama, já que o plantio de 200 mil mudas de árvores ficou no passado, como os tempos de glória do Prudentão.

O esporte de Prudente já foi mais bem tratado. Ah, seis anos...

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