| Presidente Prudente/SP

Bugalho retira venda de escola para evitar derrota; vereadores criticam

ROGÉRIO MATIVE

Em 18/02/2020 às 08:50

Na semana passada, Bugalho divulgou vídeo em busca de sensibilizar os vereadores

(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Sem os sete votos necessários para emplacar seu objetivo, o prefeito Nelson Bugalho (PSDB) decidiu retirar o projeto de lei que pedia autorização para a venda do prédio da Escola Municipal Edson Lopes, na Vila Formosa, desativada no ano passado. O recuo foi votado em plenário, com vereadores criticando a ideia de leiloar o imóvel avaliado em R$ 4,7 milhões para desafogar as finanças da Prefeitura.

A remota vitória no Legislativo chegou a ser vista com entusiasmo durante a tarde de segunda-feira (17). Contudo, integrantes do alto escalão não conseguiram mobilizar o apoio necessário dos parlamentares.

A justificativa apresentada por Bugalho foi a necessidade de "reexaminar" o projeto.

A venda do imóvel foi rebatida até pelo líder do prefeito na Câmara, Geraldo da Padaria (PSD). "É um assunto que tem que ser melhor discutido", disse, em entrevista à imprensa.

Enxurrada de críticas

Na tribuna, os vereadores defenderam a reforma da escola ou até mesmo o uso do espaço para abrigar órgãos municipais e economizar no gasto com aluguéis. "Em momento algum um projeto como esse deveria entrar nessa Casa. Estamos falando de escola, de bem público. Prefeito foi feliz em retirar, mas infeliz em colocar em votação. Eu votaria contra esse projeto. Temos reformar, é isso que tem que ser feito. O município precisa de creche. Não é vendendo que vai resolver os problemas", defendeu Anderson Silva (PSB).

Já o vereador Izaque Silva (PSDB) não gostou da manobra realizada pelo Executivo em retirar o projeto. Desta forma, a venda da escola pode ser reapresentada ainda este ano. "Eu sou totalmente contra a venda daquela área. Eu mantenho a posição. Eu lamento a solicitação de retirada. É um direito do prefeito retirar, porém, se voltar esse projeto esse ano ainda votarei contra a venda dessa área localizada na Avenida Brasil", disse.

"Esse projeto, não dá para entender. Prudente paga mais de R$ 2 milhões de aluguel por ano, faltando creche e escola. Tudo em Prudente tem que alugar, mesmo com terrenos [públicos] bons [para uso do município]", cravou Adão Batista (PSB).

O presidente da Câmara Municipal, Demerson Dias (PSB), rebateu o desejo de vender a escola ao relembrar a autorização concedida para o leilão de imóveis na cidade em 2018. Entre eles, áreas que abrigariam um cemitério e o Centro Administrativo, projetos abandonados pela Prefeitura de Presidente Prudente.

"É simples de entender. Se não cabe ali uma escola, porque não o Palácio da Saúde naquela localidade. Lugar de fácil acesso e desprovido de uma unidade de saúde. Não venha me falar que a venda do terreno é para pagar dívida da Prudenprev. Pois a Câmara autorizou já vender seis imóveis e até agora não se articularam para tal. Outros vereadores deram mais ideias. Peço que esse projeto não volte mais", frisou.

Também contrário, Enio Perrone (PSD) pontuou sobre os cerca de 300 nascimentos registrados por ano na cidade ao justificar a necessidade de ampliar a oferta de vagas em creches. "Desde o ano passado já era contra vender. Aquela escola tem uma história bonita", falou.

"Hoje, realmente, a gente vê que precisa de uma nova escola ali. Nascem quase 300 pessoas por ano. Vamos precisar de creche. Não vejo outra proposta [melhor] do que manter a creche ali", finalizou.

A retirada do projeto foi aprovada pelos 13 vereadores.

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